segunda-feira, 18 de março de 2013

CARTAZES - 1º BIMESTRE


Como apareceu a noite

Os índios acreditavam que havia somente o dia, porque a noite dormitava no leito do grande rio. A filha da Cobra Grande casou-se com um rapaz que tinha três fiéis fâmulos sendo um só, o mais capaz.
Certa vez ele chamou os fâmulos e ordenou para que fossem passear, pois queria estar a sós para pensar e amar... A filha da Cobra Grande ouviu o esposo falar, foi correndo para ele pondo-se a lhe segredar:
- “Minha mãe tem a noite presa no fundo do grande rio, se quiseres me amar mande depressa a buscar”.
O jovem chamou seus fâmulos, contente ela lhes falou:
- “Ide à casa de minha mãe de lá tragam um caroço do coquinho tucumã, que apesar de ser palmeira é vermelho qual romã”.
            Depois destas ordens dadas os criados com coragem partiram pra seu destino levando aquela mensagem.
            Quando eles lá chegaram a mãe dela então lhes deu, caroço de tucumã bem fechadinho com breu, dizendo: - ele aqui está. Porém, antes avisou que não abrissem o caroço, pois tudo então perderiam e depois não poderiam entrega-lo ao Sinhô Moço.
            Saíram muito contentes, mas sempre ouvindo um barulho dentro daquele coquinho. Eram grilos e sapinhos que só cantavam à noite. Quando já estavam bem longe não mais podendo esperar, quiseram logo saber o que o coquinho continha. Então fizeram um fogo e o breu se derreteu, grilos, sapinhos, fugiram... e eis que tudo escureceu!...
            O mais audaz disse então:
- Perdidos agora estamos, a moça de tudo sabe, mas enfim, amigos – vamos!
            Logo que escureceu a moça em casa falou com certa ironia...
- Eles soltaram a noite, vamos esperar o dia!
            Em pássaros e animais tudo então se transformou, os que estavam sobre o rio viraram patos e peixes e assim tudo mudou!
            A filha da Cobra Grande quando viu a estrela Dalva disse sorrindo ao marido:
- O dia já vem rompendo, agora separarei noite e dia, dia e noite, e tudo eu encantarei.
            Enrolou primeiro um fio para ser o cajubiú muito lindo vermelhinho com a cabecinha branca e o papo bem mais clarinho. Cantarás de madrugada quando o sol vier raiando pra acordar a passarada.
            Outro fio ela enrolou cobriu de cinza e lhe disse:
- Tu serás o Inambu, cantarás durante a noite e também de madrugada pra saudar a alvorada.
            Quando os fâmulos chegaram infiéis e bem velhacos, ela então os transformou em irrequietos macacos. Diz a lenda que o breu que fechava o tucumã, ao derreter-se escorreu sobre os corpos dos criados. Quando viraram macacos no seu pelo amarelado, aquela listra ficou para marcar o delito e assim... a história acabou!...


Fonte: Folclore e lendas do Brasil
Durvelina Santos

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