Como
apareceu a noite
Os
índios acreditavam que havia somente o dia, porque a noite dormitava no leito
do grande rio. A filha da Cobra Grande casou-se com um rapaz que tinha três
fiéis fâmulos sendo um só, o mais capaz.
Certa
vez ele chamou os fâmulos e ordenou
para que fossem passear, pois queria estar a sós para pensar e amar... A filha
da Cobra Grande ouviu o esposo falar, foi correndo para ele pondo-se a lhe
segredar:
- “Minha mãe tem a
noite presa no fundo do grande rio, se quiseres me amar mande depressa a
buscar”.
O
jovem chamou seus fâmulos, contente ela lhes falou:
- “Ide à casa de minha
mãe de lá tragam um caroço do coquinho tucumã, que apesar de ser palmeira é
vermelho qual romã”.
Depois destas ordens dadas os
criados com coragem partiram pra seu destino levando aquela mensagem.
Quando eles lá chegaram a mãe dela
então lhes deu, caroço de tucumã bem fechadinho com breu, dizendo: - ele aqui
está. Porém, antes avisou que não abrissem o caroço, pois tudo então perderiam
e depois não poderiam entrega-lo ao Sinhô Moço.
Saíram muito contentes, mas sempre
ouvindo um barulho dentro daquele coquinho. Eram grilos e sapinhos que só
cantavam à noite. Quando já estavam bem longe não mais podendo esperar,
quiseram logo saber o que o coquinho continha. Então fizeram um fogo e o breu
se derreteu, grilos, sapinhos, fugiram... e eis que tudo escureceu!...
O mais audaz disse então:
- Perdidos agora
estamos, a moça de tudo sabe, mas enfim, amigos – vamos!
Logo que escureceu a moça em casa
falou com certa ironia...
- Eles soltaram a
noite, vamos esperar o dia!
Em pássaros e animais tudo então se
transformou, os que estavam sobre o rio viraram patos e peixes e assim tudo
mudou!
A filha da Cobra Grande quando viu a
estrela Dalva disse sorrindo ao marido:
- O dia já vem
rompendo, agora separarei noite e dia, dia e noite, e tudo eu encantarei.
Enrolou primeiro um fio para ser o cajubiú muito lindo vermelhinho com a
cabecinha branca e o papo bem mais clarinho. Cantarás de madrugada quando o sol
vier raiando pra acordar a passarada.
Outro fio ela enrolou cobriu de
cinza e lhe disse:
- Tu serás o Inambu, cantarás durante a noite e
também de madrugada pra saudar a alvorada.
Quando os fâmulos chegaram infiéis e
bem velhacos, ela então os
transformou em irrequietos macacos. Diz a lenda que o breu que fechava o
tucumã, ao derreter-se escorreu sobre os corpos dos criados. Quando viraram
macacos no seu pelo amarelado, aquela listra ficou para marcar o delito e assim... a história acabou!...
Fonte: Folclore e
lendas do Brasil
Durvelina Santos

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